Banners Clicáveis

Mortalidade Infantil: 4,9 Milhões de Crianças Morreram em 2024, Revela ONU

Relatório global da ONU detalha que a maioria dos óbitos, especialmente de recém-nascidos, decorreu de causas preveníveis e de baixo custo.

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio de seu Grupo Interagencial para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), divulgou um relatório alarmante nesta terça-feira (17) de 2026: 4,9 milhões de crianças com até 5 anos de idade morreram no planeta em 2024. A análise aprofundada revela que a maioria esmagadora desses óbitos poderia ter sido evitada ou tratada com intervenções de baixo custo.

Os números sublinham uma crise humanitária persistente, onde a falta de acesso a cuidados básicos e a desigualdade na distribuição de recursos continuam a ceifar vidas jovens. A mortalidade infantil permanece como um dos maiores desafios de saúde pública global.

A Tragédia Global da Mortalidade Infantil

O relatório “Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil”, elaborado em parceria com o Banco Mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (Desa/ONU), oferece um panorama sombrio. Quase metade do total de mortes, cerca de 2,3 milhões, ocorreu entre recém-nascidos.

Esses óbitos neonatais são predominantemente atribuídos a condições como prematuridade, responsável por 36% dos casos, e complicações durante o parto, que respondem por 21%. Infecções, incluindo sepse neonatal, e anomalias congênitas também figuram como causas significativas, evidenciando a fragilidade dos sistemas de saúde em muitas regiões. A prevenção dessas mortes exige investimentos cruciais em infraestrutura e pessoal qualificado.

Desigualdade Geográfica e Fatores de Risco

A concentração geográfica das mortes infantis é um dos pontos mais dramáticos do estudo. Em 2024, a África Subsaariana foi palco de 58% de todos os óbitos de crianças menores de cinco anos. Nesta região, um conjunto de nove principais doenças infecciosas — pneumonia, malária, diarreia, sepse, meningite, tuberculose, sarampo, HIV/AIDS e tétano — causou 54% dos falecimentos, revelando a vulnerabilidade a doenças tratáveis.

O Sul da Ásia também apresenta um cenário preocupante, concentrando 25% de todas as mortes de menores de cinco anos. Lá, a mortalidade infantil é impulsionada principalmente por complicações no primeiro mês de vida, como parto prematuro, asfixia ou trauma no parto, anomalias congênitas e infecções neonatais. O documento da ONU enfatiza: “Essas condições amplamente evitáveis destacam a urgência de investir em cuidados pré-natais de qualidade, profissionais de saúde qualificados, cuidados para recém-nascidos pequenos e doentes e serviços essenciais de saúde neonatal.”

Em contraste, regiões como a Europa e a América do Norte registraram 9% das mortes infantis, enquanto a Austrália e a Nova Zelândia apresentaram apenas 6% do total. Essa disparidade evidencia o acesso desigual a intervenções comprovadamente capazes de salvar vidas. Além disso, o relatório destaca que crianças nascidas em países frágeis e afetados por conflitos têm quase três vezes mais chance de morrer antes dos cinco anos. A interrupção de serviços de saúde e a dificuldade de acesso a alimentos e saneamento em zonas de conflito são fatores agravantes. Para mais informações sobre a situação global, acesse o portal oficial da ONU em https://www.un.org/.

Desaceleração Alarmante e Projeções Futuras

Apesar de um progresso notável, com as mortes de crianças menores de cinco anos caindo em mais da metade globalmente desde 2000, o ritmo de redução da mortalidade infantil desacelerou mais de 60% desde 2015. Essa estagnação é motivo de grande preocupação e coloca em risco milhões de vidas.

O levantamento projeta um futuro alarmante:

* 27,3 milhões de crianças morrerão antes de completar cinco anos entre 2025 e 2030.
* Quase 13 milhões dessas mortes ocorrerão no período neonatal.
* As mortes continuarão concentradas na África Subsaariana e no Sul da Ásia, as regiões mais afetadas.

O documento da ONU reforça que, em um momento de desafios cumulativos como pobreza, conflitos, choques climáticos e sistemas de saúde frágeis, é “urgente ampliar e fortalecer os esforços para acabar com as mortes infantis evitáveis em todos os lugares”. A comunidade internacional precisa redobrar seus esforços para garantir que cada criança tenha a chance de sobreviver e prosperar.

O Cenário Brasileiro: Avanços e Desafios

No contexto brasileiro, o relatório da ONU aponta progressos notáveis nas últimas décadas na redução da mortalidade infantil. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) destaca que um conjunto de políticas públicas tem sido fundamental para diminuir as mortes preveníveis de crianças, em linha com a tendência global de queda.

O Brasil alcançou as menores taxas de mortalidade neonatal e abaixo dos cinco anos dos últimos 34 anos.

* 1990: A cada mil crianças nascidas, 25 morriam antes de completar 28 dias de vida.
* 2024: O número caiu para 7 a cada mil.

Similarmente, a probabilidade de morrer antes dos cinco anos de idade também apresentou uma queda significativa:

* 1990: A cada mil crianças que nasciam, 63 faleciam antes do quinto aniversário.
* 2000: A taxa caiu para 34 a cada mil.
* 2024: Chegou a 14,2 mortes a cada mil.

Entre as políticas públicas citadas como cruciais para esses resultados estão o Programa Saúde da Família, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica e a expansão da rede pública de saúde. Essas iniciativas, implementadas desde os anos 1990 com o apoio da sociedade brasileira e de organizações internacionais como o Unicef, têm promovido a saúde de mães, bebês e crianças.

Conforme Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, “Estamos falando de milhares de bebês e crianças que não sobreviveriam, e hoje podem crescer, se desenvolver com saúde e chegar até a vida adulta”. Este avanço, contudo, não dispensa a necessidade de vigilância e investimento contínuo para erradicar completamente as mortes evitáveis. Acompanhe mais notícias no Diário em Foco.

Os dados globais e brasileiros reforçam a complexidade da mortalidade infantil e a urgência de ações coordenadas. É imperativo que governos, organizações internacionais e a sociedade civil unam esforços para garantir que todas as crianças tenham direito a um futuro, livre de doenças e adversidades que podem ser prevenidas.


18 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: (Foto: Ramadan Abed)|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo