Dólar alcança R$ 5,32, maior valor desde janeiro, por crise no Oriente Médio
Aversão ao risco global e conflito no Oriente Médio impulsionam moeda americana e derrubam bolsa brasileira, levando o Banco Central a intervir no câmbio.
O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,32 nesta sexta-feira (13), marcando o maior valor registrado desde janeiro, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela crescente aversão ao risco global. A bolsa de valores brasileira, Ibovespa, também registrou queda, fechando em seu nível mais baixo em quase dois meses, refletindo a cautela dos investidores.
A moeda norte-americana valorizou 1,41% no dia, atingindo R$ 5,316 no fechamento. Durante o pregão, por volta das 16h45, chegou a operar em R$ 5,325. Esse desempenho reflete uma busca generalizada por ativos considerados mais seguros, como o dólar, em um cenário de incertezas geopolíticas, especialmente após o agravamento do conflito envolvendo o Irã e os ataques conduzidos por Israel na região.
Impacto da Geopolítica Global
O cenário internacional, marcado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de intensificar ações militares contra o Irã, ampliou as preocupações sobre um conflito mais duradouro. Tais eventos impactam diretamente os mercados globais, especialmente os preços da energia, adicionando pressão inflacionária e incertezas sobre a política monetária das grandes economias.
Na semana, o dólar acumulou uma valorização de 1,38%. Em março, a moeda americana já apresenta alta de 3,55%, revertendo parte da queda de 2,16% observada em fevereiro. No acumulado do ano, contudo, o dólar ainda registra desvalorização de cerca de 3,15% frente ao real, após um recuo de mais de 6% nos primeiros meses do ano. No mercado cambial brasileiro, o real teve o pior desempenho entre as principais moedas emergentes, com uma saída relevante de recursos do país por parte de investidores que buscaram aproveitar a cotação considerada barata após o bom início de ano da moeda brasileira.
Ações do Banco Central e Desempenho do Real
Diante da pressão cambial, o Banco Central do Brasil (BC) realizou uma intervenção pela manhã, conduzindo uma operação conhecida como “casadão”. A autoridade monetária vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista e ofertou 20 mil contratos de swap cambial reverso, uma operação equivalente à compra de dólar futuro. A intervenção ocorreu em um momento de menor liquidez e pressão no chamado cupom cambial, que serve como um termômetro da taxa de juros em dólar no país. A medida visa conter a volatilidade e garantir o funcionamento do mercado.
No exterior, o fortalecimento do dólar foi evidenciado pelo avanço do Dollar Index (DXY), um indicador que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes. O índice superou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro do ano passado, encerrando o dia próximo a 100,5 pontos e acumulando uma alta superior a 1,6% na semana.
Cenário Internacional e Mercado de Ações
Além da busca por proteção em momentos de crise, analistas apontam que o movimento de alta do dólar também reflete mudanças nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. A elevação dos preços do petróleo e as incertezas sobre a inflação têm levado investidores a reduzir suas apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Isso tende a fortalecer o dólar, pois juros mais altos nos EUA tornam os ativos denominados em dólar mais atrativos.
No mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, principal índice da bolsa, foi diretamente impactado pela aversão ao risco, caindo 0,91% e fechando aos 177.653 pontos. Este patamar representa o menor nível desde 22 de janeiro. Apesar de ter operado acima de 178 mil pontos em parte da sessão, o índice perdeu força na segunda metade do pregão. Na semana, o Ibovespa acumulou um recuo de 0,95%, somando-se a uma queda mais acentuada de 4,99% na semana anterior. Apesar do desempenho negativo recente, o índice ainda registra valorização de 10,26% no acumulado do ano, mas em março a baixa já alcança 5,9%.
As incertezas geopolíticas, especialmente o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio, foram o principal motor da queda. As declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de intensificar ataques contra o Irã elevaram a cautela entre os investidores, particularmente às vésperas do fim de semana, quando os mercados permanecem fechados e há menos capacidade de reação a novos eventos.
A tensão geopolítica também impulsionou significativamente o preço do petróleo. O contrato do petróleo tipo Brent, referência nas negociações internacionais, para entrega em maio, avançou 2,67%, fechando a US$ 103,14 por barril e acumulando um ganho semanal de cerca de 11%. A commodity já valorizou mais de 40% em março e aproximadamente 70% no acumulado do ano, evidenciando o impacto direto dos conflitos na oferta e demanda global de energia.
Perguntas Frequentes
Por que o dólar subiu tanto?
O dólar subiu principalmente devido à escalada das tensões no Oriente Médio, que gerou aversão ao risco global e levou investidores a buscar ativos mais seguros, como a moeda americana. As expectativas de manutenção de juros altos nos EUA também contribuíram.
O que o Banco Central fez para conter a alta?
O Banco Central do Brasil realizou uma operação de intervenção no mercado, vendendo US$ 1 bilhão à vista e ofertando contratos de swap cambial reverso, o que equivale à compra de dólar futuro, para tentar controlar a volatilidade e estabilizar a cotação.
Como a bolsa de valores reagiu a essa situação?
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,91% e atingiu o menor nível desde janeiro, refletindo a aversão ao risco dos investidores diante das incertezas geopolíticas e econômicas.




