Inflação oficial recua para 3,81% em 12 meses e sobe 0,7% em fevereiro
Dados do IBGE mostram que o IPCA acumulado em 12 meses está em 3,81%, dentro da meta, mas o índice mensal de fevereiro acelerou para 0,7%.
A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro de 2024, após registrar 0,33% em janeiro. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da aceleração mensal, a taxa acumulada da inflação oficial em fevereiro de 2024 nos últimos doze meses recuou para 3,81%, ficando abaixo dos 4,44% registrados nos doze meses imediatamente anteriores. Esse patamar mantém o índice dentro do limite máximo de tolerância da meta estabelecida pelo governo federal, que é de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Destaques da Inflação Oficial em Fevereiro
O IPCA de 0,7% em fevereiro representa a maior taxa mensal para o período desde fevereiro de 2023, quando atingiu 1,31%. No acumulado do ano, o índice soma alta de 1,03%, refletindo a pressão de diversos setores da economia no início do ano.
Os grupos de despesa que mais contribuíram para a alta da inflação oficial em fevereiro foram Educação e Transportes. Juntos, eles foram responsáveis por aproximadamente 66% do resultado do mês, evidenciando a concentração das pressões inflacionárias em áreas específicas da economia brasileira.
Grupos que Mais Pressionaram o IPCA
O grupo Educação registrou a maior variação e impacto no IPCA de fevereiro, com um aumento de 5,21%. Essa alta significativa é atribuída principalmente aos reajustes anuais das mensalidades de escolas, universidades e cursos, prática comum no início do ano letivo. O IBGE destacou que a Educação respondeu por cerca de 44% do IPCA de fevereiro, com a maior contribuição vindo dos cursos regulares (6,2%).
Dentro do grupo Educação, os subitens com maiores variações foram o ensino médio (8,19%), o ensino fundamental (8,11%) e a pré-escola (7,48%). O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, comparou o dado atual com o ano anterior: “Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2024 contra 4,7% de fevereiro de 2023”, explicou. Ele também ressaltou que, embora mais alto que em meses anteriores, o resultado geral é o menor para um mês de fevereiro desde 2020 (0,25%).
O grupo Transportes também exerceu pressão considerável sobre a inflação. Um dos destaques foi o aumento de 11,4% nas passagens aéreas, um item volátil que costuma apresentar grandes oscilações. Além disso, houve altas no seguro voluntário de veículos (5,62%), no conserto de automóvel (1,22%) e no ônibus urbano (1,14%). Em contraste, os combustíveis apresentaram uma leve queda de -0,47%, puxada pela gasolina (-0,61%) e pelo gás veicular (-3,10%), apesar das altas no etanol (0,55%) e no óleo diesel (0,23%).
Cenário para Alimentos e Bebidas
O grupo Alimentação e Bebidas mostrou uma variação mais contida, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. A alimentação no domicílio registrou um aumento de 0,23%, influenciada pelas altas de produtos como açaí (25,29%), feijão carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%).
Por outro lado, algumas quedas importantes foram observadas, como nas frutas (-2,78%), no óleo de soja (-2,62%), no arroz (-2,36%) e no café moído (-1,20%). A alimentação fora do domicílio (0,34%) desacelerou em relação ao mês anterior (0,55%), com a refeição caindo de 0,66% em janeiro para 0,49% em fevereiro, e o lanche de 0,27% para 0,15%.
Fernando Gonçalves destacou a desaceleração de alguns itens de alimentos e bebidas. “Em fevereiro de 2023, o grupo de alimentos registrou influência da alta do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%). No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços deste subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses”, disse. Ele também mencionou a queda acumulada do arroz (-27,86% em 12 meses) “dada a boa oferta do cereal”.
O INPC e o Contexto Econômico
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação de preços para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, também apresentou alta. Em fevereiro, o INPC subiu 0,56%, um aumento de 0,17 ponto percentual em relação a janeiro (0,39%).
No acumulado do ano, o INPC soma 0,95%, e nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,36%, inferior aos 4,30% registrados nos doze meses anteriores. Em fevereiro de 2023, a taxa foi de 1,48%. Os produtos alimentícios, no INPC, aceleraram de 0,14% em janeiro para 0,26% em fevereiro, enquanto os não alimentícios passaram de 0,47% para 0,66% no mesmo período. A análise conjunta do IPCA e do INPC fornece uma visão abrangente do comportamento dos preços e do impacto inflacionário sobre diferentes faixas de renda no Brasil.
Perguntas Frequentes
O que é o IPCA e o que ele mede?
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice oficial de inflação do Brasil. Ele mede a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, abrangendo as principais regiões metropolitanas do país. É utilizado pelo Banco Central como referência para o regime de metas de inflação.
Por que a Educação foi o grupo que mais subiu em fevereiro?
O grupo Educação registrou a maior alta em fevereiro devido aos tradicionais reajustes anuais nas mensalidades de escolas, universidades e cursos. Esses aumentos são habitualmente praticados no início do ano letivo e têm um impacto significativo no orçamento das famílias.
A inflação acumulada de 3,81% está dentro da meta do governo?
Sim, a inflação acumulada de 3,81% nos últimos 12 meses está dentro da meta de inflação estabelecida pelo governo. A meta central para 2024 é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que significa que o índice pode variar entre 1,5% e 4,5%.




