Urgente Governo destina R$ 547 milhões para ressarcir beneficiários do INSS
MERCADO
Dólar R$ 5,08
Euro R$ 5,80
Bitcoin R$ 334.870 ▼ 0,67%
Selic 0,05% a.a.
Ethereum R$ 9.776 ▼ 0,55%
Dólar R$ 5,08
Euro R$ 5,80
Bitcoin R$ 334.870 ▼ 0,67%
Selic 0,05% a.a.
Ethereum R$ 9.776 ▼ 0,55%
Dólar R$ 5,08
Euro R$ 5,80
Bitcoin R$ 334.870 ▼ 0,67%
Selic 0,05% a.a.
Ethereum R$ 9.776 ▼ 0,55%
Dólar R$ 5,08
Euro R$ 5,80
Bitcoin R$ 334.870 ▼ 0,67%
Ultimas Noticias

Fome mundial diminui e atinge 645 milhões de pessoas

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 21/07/2026 às 23:27
Leitura: 5 Min
Última Atualização: 21 de julho de 2026, às 23:27

A fome global atingiu 645 milhões de pessoas em 2025, marcando o terceiro ano consecutivo de queda, conforme o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI 2026) da ONU. O estudo, divulgado nesta terça-feira (21) em Roma, aponta uma redução de 14 milhões de famintos em um ano, comparado a 2024, e 43 milhões a menos do que em 2022.

Os dados foram apresentados na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização. Apesar dos avanços, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, enfatizou a urgência de acelerar as ações.

“Acabar com a fome e tornar dietas saudáveis acessíveis exige compromisso político, investimento sustentado e políticas que o facilitem”, afirmou Dongyu. O relatório SOFI 2026 é uma produção conjunta de cinco importantes instituições das Nações Unidas: a FAO, o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Cenário Global e Desafios da Fome

Em 2025, a fome atingiu 7,8% da população global. Esse percentual representa uma queda em relação a 2024, quando era de 8,1%, e a um pico anterior de 8,6%. A persistência da fome em milhões de vidas ressalta a complexidade do problema, que é influenciado por conflitos, crises climáticas e instabilidades econômicas.

O relatório SOFI 2026 é uma das principais publicações anuais que monitora o progresso em direção ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2 da ONU: Fome Zero. Este objetivo, parte da Agenda 2030, busca erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição globalmente. A lentidão no avanço ameaça o cumprimento dessas metas.

Durante o evento em Roma, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, Fernanda Machiaveli, reforçou que a fome não é um destino inevitável. “Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos”, destacou a ministra.

Insegurança Alimentar: O Que Significa?

Além da fome, o relatório também analisa a insegurança alimentar, uma condição mais abrangente que descreve a falta de acesso regular a alimentos nutritivos e em quantidade suficiente para uma vida ativa e saudável. Essa situação pode ser classificada como moderada ou severa.

– A insegurança alimentar moderada ocorre quando as pessoas têm incerteza sobre sua capacidade de obter alimentos e são forçadas a reduzir a qualidade ou quantidade dos alimentos consumidos.
– A insegurança alimentar severa implica que as pessoas ficam sem comida, passando fome e, no extremo, ficando dias sem comer.

Até 2025, a FAO estimou que 25,8% da população mundial – o equivalente a cerca de 2,1 bilhões de pessoas – vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa. Embora este número represente uma queda em relação aos 27,1% de 2024 e 28,7% de 2020, ele ainda permanece acima dos níveis pré-pandemia de COVID-19.

Disparidades Regionais na Luta Contra a Fome

A redução nos níveis globais de fome não se manifesta de forma homogênea. O relatório SOFI 2026 aponta que, enquanto a Ásia, a América Latina e o Caribe registram melhorias graduais nos últimos três anos, a África emerge como o continente com o maior número absoluto de pessoas famintas.

– Estima-se que uma em cada cinco pessoas na África – aproximadamente 20% da população, ou 309 milhões de indivíduos – enfrentou a fome em 2025. Em 2024, este índice foi ligeiramente superior, alcançando 20,3%.

Quando se avalia a insegurança alimentar moderada ou severa, a disparidade se acentua. Em 2025, mais da metade da população africana (56,6%) vivia sob essa condição. Em contraste, a prevalência foi de 22,9% na América Latina e Caribe, 8,7% na América do Norte e Europa, e 20,3% na Ásia.

Grupos Mais Vulneráveis e Indicadores de Nutrição

A insegurança alimentar persiste com maior intensidade em áreas rurais do que em centros urbanos e suas periferias. As mulheres continuam sendo desproporcionalmente afetadas, embora a diferença de gênero tenha diminuído ligeiramente em 2025.

Globalmente, apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos alcançaram a diversidade alimentar mínima necessária para um consumo saudável entre 2021 e 2025. Isso significa que cerca de uma em cada três mulheres no planeta não conseguiu atingir essa meta nutricional básica.

No recorte continental, a menor prevalência de diversidade alimentar adequada em mulheres foi observada na África (43%), seguida pela Ásia (65%) e América Latina e Caribe (77,5%). A maior diversidade alimentar foi registrada na América do Norte e Europa (79,8%).

Os avanços globais na nutrição de mães e crianças são lentos e marginais, colocando em risco o cumprimento das metas internacionais estipuladas para 2030. Apenas 30,8% das crianças entre 6 e 23 meses no mundo consomem uma alimentação minimamente diversificada.

Entre os principais indicadores que ainda ligam um alerta estão:

Desnutrição infantil grave: 150 milhões de crianças menores de 5 anos ainda sofrem de atraso no crescimento, um indicativo de desnutrição crônica.
Anemia em mulheres: O quadro de anemia entre mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) está piorando globalmente, afetando sua saúde e a de seus filhos.
Obesidade adulta: A prevalência cresceu de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024, descumprindo a meta global de interromper esse crescimento até 2025.

Apesar desses desafios, o relatório destaca algumas evoluções positivas, como o aumento do aleitamento materno exclusivo em todas as regiões com dados disponíveis e uma diminuição na prevalência do retardo infantil na África. No entanto, a complexidade e a escala do problema exigem um esforço global coordenado e políticas públicas eficazes para garantir que ninguém seja deixado para trás na luta contra a fome.

Perguntas Frequentes

Quantas pessoas passam fome no mundo, segundo o relatório da ONU?

Segundo o relatório SOFI 2026 da ONU, 645 milhões de pessoas enfrentaram a fome em todo o mundo em 2025. Este número representa uma redução de 14 milhões em comparação com 2024.

O que é insegurança alimentar e como ela se difere da fome?

A insegurança alimentar é uma condição mais ampla que se refere à falta de acesso regular a alimentos nutritivos e em quantidade suficiente para uma vida saudável. A fome é a forma mais severa de insegurança alimentar, caracterizada pela ausência prolongada de comida e privação extrema.

Quais continentes são mais afetados pela fome e insegurança alimentar?

A África é o continente mais afetado, com cerca de 309 milhões de pessoas, ou 20% de sua população, enfrentando a fome em 2025. Além disso, mais da metade da população africana (56,6%) vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa no mesmo período.

Quais são os principais indicadores de nutrição preocupantes citados no relatório?

O relatório aponta a desnutrição infantil grave (150 milhões de crianças com atraso no crescimento), a piora do quadro de anemia em mulheres em idade fértil e o crescimento da obesidade adulta (16,2% em 2024) como os principais indicadores de alerta na área da nutrição.


21 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

Leia também

Próxima matéria Alckmin detalha plano brasileiro contra tarifas dos EUA e defende