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Polícia Federal mira R$ 7,6 bilhões em lavagem de dinheiro no Rio.

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 07/07/2026 às 08:36
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 07 de julho de 2026, às 08:37

A Polícia Federal deflagrou a 6ª fase da Operação Unha e Carne nesta terça-feira (7) no Rio de Janeiro, visando combater uma organização criminosa que utilizava postos de combustíveis para lavar R$ 7,6 bilhões, com envolvimento de agentes públicos. A ação mobilizou policiais federais desde as primeiras horas da manhã.

As investigações apontam para um complexo esquema de lavagem de dinheiro. Esta rede criminosa seria responsável por movimentar a quantia expressiva de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos. O montante foi revelado por um Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à PF.

Os agentes cumpriram 19 mandados de busca e apreensão. As operações ocorreram em diversos municípios fluminenses. Foram alvos as cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, além da capital, o Rio de Janeiro.

A Justiça também determinou medidas rigorosas contra os envolvidos. Entre elas, o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. Essas ações visam descapitalizar a organização e interromper suas operações ilícitas.

Os investigados podem ser responsabilizados por uma série de crimes graves. A lista inclui:
Organização criminosa
Contratação direta ilegal
Lavagem de dinheiro

Outros ilícitos podem surgir conforme o avanço das apurações. As investigações são complexas e podem revelar novas ramificações do esquema.

Entenda o Esquema Bilionário e o Papel do Coaf

A Operação Unha e Carne se concentra em desmantelar uma estrutura criminosa que utilizava a rede de postos de combustíveis como fachada. Esses estabelecimentos, com seu alto volume de transações em dinheiro, são frequentemente explorados para ocultar a origem ilícita de recursos. A prática permite que o dinheiro proveniente de crimes seja “limpo” e reintroduzido na economia formal.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) desempenha um papel crucial nessas investigações. Este órgão, vinculado ao Banco Central do Brasil, é responsável por produzir inteligência financeira. Ele identifica e comunica às autoridades competentes movimentações atípicas que possam indicar lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e outros ilícitos.

O relatório do Coaf que embasou esta fase da operação foi fundamental para quantificar a dimensão do esquema. Os R$ 7,6 bilhões movimentados demonstram a sofisticação e o alcance da organização criminosa. A expertise do Conselho é essencial para rastrear fluxos financeiros complexos e identificar os elos entre as empresas e os indivíduos envolvidos.

A lavagem de dinheiro é um crime que busca disfarçar a origem ilícita de bens e valores. Geralmente, envolve três fases: a colocação (introdução do dinheiro no sistema financeiro), a ocultação (movimentação para dificultar o rastreamento) e a integração (retorno do dinheiro à economia de forma “legítima”). A utilização de postos de combustíveis facilita a fase de colocação e ocultação, devido à natureza do negócio.

Força-Tarefa Missão Redentor II e Base Legal

A operação atual faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II. Esta iniciativa é coordenada pela própria Polícia Federal. Seu objetivo principal é desarticular organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro. A Missão Redentor II representa um esforço contínuo das forças de segurança para combater o crime organizado em uma das regiões mais desafiadoras do país.

As ações da força-tarefa estão em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635. Esta Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é conhecida por regular as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. A decisão do STF busca equilibrar a necessidade de segurança pública com a proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos.

A ADPF 635 estabelece que operações policiais em favelas e comunidades do Rio de Janeiro devem seguir um protocolo rigoroso. Isso inclui a justificativa prévia da necessidade da operação, a comunicação ao Ministério Público e a preservação de provas. A conformidade com esta decisão garante a legalidade e a transparência das ações da PF, mesmo em contextos de alta complexidade.

Envolvimento de Figuras Públicas e Fases Anteriores

A 6ª fase da Operação Unha e Carne segue o rastro de investigações anteriores. A 5ª fase, deflagrada em 2 de maio deste mês, já havia mirado figuras de relevância. Naquela ocasião, foram cumpridos três mandados de prisão e um de busca e apreensão.

Entre os alvos da 5ª fase estavam o contraventor do jogo do bicho Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Ele é uma figura notória ligada a atividades ilícitas no estado. Também foram alvo o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o empresário e pastor Márcio Poncio.

O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, também foi alvo. Contra ele, foi expedido um mandado de busca e apreensão. A presença de nomes com histórico político ou ligados à contravenção reforça a complexidade do esquema. Isso sugere uma teia de conexões entre o submundo do crime e esferas de poder.

A participação de agentes públicos, mencionada na deflagração da 6ª fase, é um dos pontos mais sensíveis da investigação. A corrupção de servidores públicos é um vetor para a continuidade e proteção de esquemas de lavagem de dinheiro. Essa conexão entre crime organizado e poder público é um desafio persistente para as autoridades.

As investigações prosseguem com o objetivo de identificar todos os envolvidos e a extensão total dos danos. O combate a esses crimes é fundamental para a integridade do sistema financeiro e a confiança nas instituições públicas. A Polícia Federal reafirma seu compromisso em desmantelar redes que desviam recursos e corroem o estado de direito.

Perguntas Frequentes

O que é a Operação Unha e Carne?

A Operação Unha e Carne é uma série de investigações deflagradas pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. O objetivo é combater uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro e outros ilícitos, utilizando uma rede de postos de combustíveis e com possível envolvimento de agentes públicos.

Qual o papel do Coaf nas investigações?

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é um órgão de inteligência financeira. Ele analisa e identifica movimentações financeiras suspeitas, produzindo relatórios que embasam operações como a Unha e Carne. Foi um relatório do Coaf que apontou a movimentação de R$ 7,6 bilhões pelo esquema.

Por que postos de combustíveis são usados para lavagem de dinheiro?

Postos de combustíveis são frequentemente utilizados para lavagem de dinheiro devido ao alto volume de transações em dinheiro e à dificuldade de fiscalização detalhada de cada venda. Isso permite que criminosos misturem dinheiro ilícito com o faturamento legítimo, dificultando o rastreamento da origem ilegal dos recursos.

Quais crimes os investigados podem responder?

Os investigados nesta fase da Operação Unha e Carne podem responder por crimes como organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. As investigações ainda estão em andamento, e outros ilícitos podem ser identificados no decorrer do processo.


7 de julho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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