Uesb tem 111 mulheres em Zootecnia e impulsiona presença feminina na ciência
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) quebra estereótipos e promove a participação de mulheres em áreas tradicionalmente masculinas, como Ciências Agrárias e Tecnologia.
A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) transforma estereótipos e impulsiona a presença feminina na ciência, com 111 mulheres no curso de Zootecnia em Itapetinga, desafiando campos historicamente masculinos. A instituição se destaca como um reflexo vivo de mudança, onde o protagonismo feminino redefine fronteiras em espaços antes considerados intransponíveis.
Historicamente, a imagem do cientista de jaleco branco ou do profissional das Ciências Agrárias no campo era predominantemente masculina. Essa representação, consolidada por décadas de exclusão, está sendo ativamente desfeita. A Uesb, com seus três campi, não apenas testemunha o crescimento da presença feminina, mas a posiciona como força motriz da produção acadêmica e da transformação social no estado da Bahia.
O Protagonismo das Mulheres na Ciência Uesb
A professora Simone Gualberto, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Uesb, é uma das vozes que reforçam essa transformação. Para ela, a crescente participação das mulheres na ciência tem sido um poderoso motor de mudança social, quebrando barreiras históricas que dificultavam o acesso ao Ensino Superior. “Hoje, participamos de forma cada vez mais ativa da produção científica e contribuímos para ampliar os olhares e as soluções para os desafios da sociedade”, afirma Gualberto, destacando o impacto da diversidade de pensamento.
Ao longo de sua trajetória, a Uesb tem investido em iniciativas para incentivar esse protagonismo. Grupos de pesquisa e laboratórios integram docentes e discentes em áreas estratégicas como Tecnologia, Meio Ambiente e Inovação, proporcionando um ambiente fértil para o desenvolvimento feminino. Simone Gualberto ressalta que a Universidade busca ativamente reconhecer os desafios enfrentados pelas pesquisadoras para consolidar suas carreiras. Dar visibilidade a essas contribuições, segundo ela, constrói um ambiente científico mais inclusivo. “Valorizar a presença das mulheres na produção do conhecimento é fundamental para fortalecer uma ciência mais diversa, mais justa e mais conectada com as necessidades da sociedade”, pontua a professora.
Impacto Feminino na Qualidade das Descobertas Científicas
A inclusão feminina na ciência transcende a simples busca por igualdade, tornando-se um fator crucial para elevar a qualidade e a profundidade das descobertas. A professora Mara Lúcia Albuquerque Pereira, do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Uesb, enfatiza que, apesar de as mulheres ainda ocuparem cerca de 30% dos cargos de liderança em pesquisa globalmente, sua atuação é vital para a inovação e a quebra de paradigmas. “A participação feminina traz novas metodologias e perspectivas, muitas vezes mais intuitivas e cuidadosas, enriquecendo o ambiente científico”, destaca Pereira, sublinhando a contribuição única que as mulheres oferecem à pesquisa.
Essa presença feminina não se restringe apenas a laboratórios e centros de pesquisa tradicionais. O movimento de empoderamento se estende a áreas historicamente associadas ao universo masculino, como as Ciências Agrárias. Por muito tempo, a atuação das mulheres no campo foi minimizada, tratada apenas como “ajuda”. No entanto, essa realidade está em franca mudança, especialmente em campos como a Zootecnia, onde o número de mulheres tem crescido exponencialmente.
Mulheres na Zootecnia: Itapetinga Lidera Transformação
No campus de Itapetinga da Uesb, a graduação em Zootecnia é um exemplo claro dessa transformação. Atualmente, o curso conta com 179 alunos matriculados, dos quais impressionantes 111 são mulheres, representando 62% do total. A força feminina é ainda mais evidente na turma do quarto semestre, que é composta integralmente por mulheres, um marco significativo para o curso e para a universidade.
Ana Vitória Nascimento, natural de Itapetinga e aluna dessa turma, descobriu seu interesse pela Zootecnia no Ensino Médio, durante um curso técnico. Ao ingressar na Uesb e encontrar uma turma exclusivamente feminina, sua experiência acadêmica ganhou um novo significado. “Estudar em uma sala cheia de mulheres é inspirador, pois nenhuma delas te deixa desmotivar. Não deixamos ninguém para trás”, relata Ana Vitória, ressaltando o ambiente de união e apoio mútuo entre as colegas.
Amanda Silva, estudante de Guanambi e também integrante da turma, relata ter sido questionada sobre sua escolha de curso, um reflexo da percepção ainda presente de que as Ciências Agrárias seriam predominantemente masculinas. Contudo, ela observa que esse cenário está em rápida evolução, com a crescente presença de mulheres na Zootecnia e no agronegócio, demonstrando competência técnica e capacidade de liderança.
A professora Silmara Carvalho, coordenadora do curso de Zootecnia, explica que a ampliação da presença feminina acompanha a própria diversidade de áreas de atuação da profissão. Segundo ela, o trabalho do zootecnista vai muito além do manejo animal. “A Zootecnia envolve ciência, produção de alimentos, sustentabilidade e cuidado com os animais. As mulheres têm mostrado, cada vez mais, que têm muito a contribuir nesse campo”, ressalta Carvalho. Ela enfatiza a importância de as jovens não se deixarem limitar por estereótipos de gênero. Embora algumas atividades práticas possam parecer desafiadoras inicialmente, especialmente as ligadas ao manejo direto com animais, as alunas demonstram segurança e competência. “Se existe interesse, curiosidade e vontade de aprender, já é um ótimo começo”, completa Silmara.
Desafios e Reflexões no Dia da Mulher
A celebração do Dia da Mulher na Uesb, enquanto exalta o protagonismo e as conquistas, também convida à reflexão sobre os desafios persistentes. A professora Zoraide Cruz, diretora do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagens (Dchel) da Uesb, desenvolve uma pesquisa que analisa dados sobre a violência contra a mulher na Bahia. O estudo aponta que a maioria das vítimas de feminicídio no estado tem entre 20 e 40 anos, faixa etária que coincide com o período de formação e consolidação profissional de muitas das mulheres que hoje transformam a ciência. Esses dados reforçam a necessidade contínua de políticas de segurança e empoderamento feminino em todas as esferas da sociedade.
A Uesb, ao fomentar a presença feminina em campos de conhecimento e liderança, contribui ativamente para a construção de um futuro onde a igualdade de gênero não seja apenas um ideal, mas uma realidade em todas as áreas, desde o laboratório de pesquisa até o campo, promovendo uma sociedade mais justa e equitativa para todas as mulheres.
Perguntas Frequentes
O que a Uesb tem feito para incentivar a presença feminina na ciência?
A Uesb incentiva a presença feminina por meio de grupos de pesquisa, laboratórios em áreas estratégicas como Tecnologia e Meio Ambiente, e ao dar visibilidade às contribuições das pesquisadoras, criando um ambiente mais inclusivo.
Qual é a proporção de mulheres no curso de Zootecnia da Uesb em Itapetinga?
Atualmente, o curso de Zootecnia no campus de Itapetinga tem 179 alunos, dos quais 111 são mulheres, representando 62% do total. A turma do quarto semestre é composta inteiramente por mulheres.
Por que a presença feminina é importante nas Ciências Agrárias, como a Zootecnia?
A presença feminina nas Ciências Agrárias traz novas perspectivas, metodologias e um olhar mais abrangente para a profissão, que vai além do manejo animal e inclui ciência, produção de alimentos, sustentabilidade e cuidado com os animais.




