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Estudo revela que 71% das mulheres sofrem assédio em espaços públicos

Levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec entrevistou 3,5 mil pessoas em 10 capitais brasileiras.

Uma recente pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec, lançada nesta quinta-feira (5), revela que 71% das mulheres já sofreram assédio moral ou sexual, principalmente em ruas e espaços públicos de dez capitais brasileiras. O estudo entrevistou 3,5 mil pessoas no final de 2023.

O levantamento “Viver nas Cidades: Mulheres” destaca a persistência do assédio como uma realidade cotidiana para a maioria das mulheres. Os dados foram coletados em Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O resultado aponta para um problema recorrente que afeta a liberdade e o direito das mulheres de transitar pelas cidades com segurança.

Assédio contra mulheres em espaços públicos persiste

A pesquisa indicou que sete em cada dez mulheres disseram já ter sido vítimas de assédio. A diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, Patrícia Pavanelli, afirmou durante o lançamento do estudo que “a insegurança é uma regra na nossa vida, não é uma exceção”. Ela ressaltou a alta proporção de mulheres que continuam a relatar experiências de assédio.

Considerando o total de 2.066 mulheres entrevistadas na amostra, 71% delas confirmaram ter sofrido algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis locais investigados. Esses locais incluem ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares/casas noturnas ou transporte particular. Embora haja uma leve queda em comparação com 2014, quando o índice era de 74%, os organizadores do estudo consideram que a proporção de mulheres assediadas permanece alarmantemente alta e persistente nas dez capitais.

Locais mais vulneráveis e o impacto na liberdade

As ruas e espaços públicos, como praças, parques e praias, são os ambientes onde o assédio é mais frequente, sendo citados por 54% das mulheres. O transporte público aparece em seguida, com 50% das respostas. O ambiente de trabalho foi mencionado por 36% das entrevistadas, enquanto bares e casas noturnas registraram 32%. O ambiente familiar foi citado em 26% das menções e o transporte particular, como táxis e aplicativos, em 19%.

Patrícia Pavanelli enfatizou que “o espaço público e o transporte público se destacam como os lugares mais hostis para as mulheres”. Ela explicou que essa situação representa um problema recorrente que “limita a nossa liberdade, o nosso direito à cidade”. Além disso, 5% das mulheres entrevistadas relataram ter sofrido assédio em todos os seis locais mensurados na pesquisa. A diretora alertou que, embora o percentual pareça pequeno, ele representa um número significativo de mulheres que vivem em capitais que concentram 33 milhões de habitantes.

Punição e rede de apoio: o que dizem os especialistas

A pesquisa também buscou entender quais ações são consideradas prioritárias para combater o assédio. Aumentar as penas contra os agressores surge em primeiro lugar, com 55% das menções, seguido pela ampliação dos serviços de proteção às vítimas, com 48%. Agilizar a investigação das denúncias foi uma ação citada por 37% das pessoas.

Patrícia Pavanelli, da Ipsos-Ipec, destacou que o estudo “aponta para a gente um caminho que combina esse desejo da punição e da justiça, mas há necessidade de uma rede de apoio mais robusta”. Ela defende a aproximação da população dos agentes de segurança e o treinamento de funcionários para melhor acolher as mulheres. A pesquisa revela, ainda, que quase três em cada dez homens consideram prioritária a criação de políticas de segurança comunitária.

Entretanto, a promotora Fabíola Sucasas, titular da Promotoria de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo, avalia que o combate à violência contra mulheres não se resolverá apenas pela “via punitivista”. Para ela, a “ideia de que o direito penal vai dar conta de tudo, de que o homem precisa ser preso, ele precisa ser punido, é uma visão que é patriarcal”. Sucasas ressaltou que, apesar da demanda por aumento de penas, o feminicídio já possui a maior pena do Código Penal — 40 anos — e isso não tem resultado na redução do crime. “Isso não tem intimidado [os agressores], muito pelo contrário, o feminicídio tem aumentado e tem aumentado também o descumprimento das medidas protetivas de urgência”, alertou.

Naiza Bezerra, coordenadora de Políticas para Mulheres da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, enfatiza a necessidade de repensar as intervenções públicas e os mecanismos de proteção a partir dos dados do estudo. “Muitas mulheres não estão seguras no lar e, quando ela vai para o espaço público, para a rua, o transporte público, ela enfrenta uma insegurança ainda maior”, afirmou. A coordenadora destacou a vulnerabilidade feminina, mesmo com as ferramentas existentes para o combate à violência de gênero. Ela ilustra a realidade das mulheres com o dilema de “sair de casa tendo que observar que horas que eu estou saindo, que horas que eu vou chegar”, o que limita a liberdade e o planejamento de suas vidas.

Perguntas Frequentes

Qual o principal dado da pesquisa sobre assédio contra mulheres?
A pesquisa revela que 71% das mulheres entrevistadas em dez capitais brasileiras já sofreram assédio moral ou sexual, principalmente em ruas e espaços públicos.

Quais são os locais onde o assédio é mais frequente, segundo o estudo?
As ruas e espaços públicos são os mais citados (54%), seguidos pelo transporte público (50%). O ambiente de trabalho aparece em terceiro lugar, com 36% das menções.

Quais as principais ações que as pessoas desejam para combater o assédio?
Aumentar as penas contra os agressores (55%) e ampliar os serviços de proteção às vítimas (48%) são as ações mais desejadas pela população, segundo o levantamento.


5 de março de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Rede Nossa São Paulo/Divulgação|Redação: Fabio Silva|Fonte da Informação ↗

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