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CMN regulamenta bloqueio de contas para frear apostas ilegais no país

Por Bruno Sampaio | Atualizado em 25/06/2026 às 20:42
Leitura: 6 Min
Última Atualização: 25 de junho de 2026, às 20:43

O Conselho Monetário Nacional (CMN) oficializou a regulamentação de um decreto fundamental que autoriza o bloqueio de contas e a interrupção de transações financeiras. A medida atinge diretamente operadores de apostas de quota fixa que atuam sem a devida autorização legal no país. O objetivo central do governo é criar barreiras significativas para a operação de sites e empresas consideradas irregulares, impondo regras claras para que bancos e demais instituições de pagamento cumpram as novas determinações.

Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha assinado o decreto na semana passada, a efetividade da medida dependia da regulamentação pelo CMN. A resolução nº 5320, aprovada na última quinta-feira (25), estabelece que as instituições integrantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) devem bloquear as contas em até 24 horas após receberem uma notificação. Esta ordem partirá da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, e a norma entra em vigor em 28 de agosto.

Entenda o Processo de Bloqueio de Contas

A nova regulamentação define um fluxo claro para identificar e desativar as operações financeiras de plataformas de apostas ilegais. O processo se inicia com a identificação de uma atividade irregular pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Esta secretaria, responsável por fiscalizar o mercado de jogos e apostas, atua como o motor inicial para a aplicação das sanções.

Após a constatação de irregularidade, a SPA emite um auto específico. Em seguida, uma notificação de bloqueio é enviada às instituições financeiras e de pagamento.

Com a ordem de bloqueio em mãos, as instituições devem agir rapidamente:

– Bloquear as contas vinculadas aos operadores identificados.
– Impedir novas transações financeiras que, direta ou indiretamente, estejam relacionadas à atividade de apostas irregulares.

Essa celeridade visa a impedir que recursos financeiros continuem a ser movimentados por operadores não autorizados enquanto um processo administrativo ou judicial mais amplo esteja em andamento. O bloqueio atua como uma medida preventiva, garantindo que o sistema financeiro não seja utilizado para atividades ilícitas ou não regulamentadas.

Quais Contas Podem Ser Bloqueadas?

A abrangência da medida é vasta, englobando diversos tipos de contas utilizadas para movimentações financeiras no Brasil. A regulamentação não se restringe apenas a contas empresariais, mas também pode atingir contas de pessoas físicas envolvidas em operações de apostas sem autorização legal.

As contas especificamente listadas na resolução incluem:

Contas de depósito à vista: As contas correntes tradicionais.
Contas de poupança: Destinadas à reserva de valores, mas que podem ser usadas indevidamente.
Contas de pagamento pré-pagas: Muito comuns em plataformas digitais e meios de pagamento online.
Contas de registro: Categorias mais amplas que podem incluir outras modalidades financeiras.

Essa diversidade garante que os operadores ilegais não consigam facilmente burlar o sistema ao migrar seus recursos entre diferentes tipos de contas. O objetivo é criar um cerco financeiro que inviabilize a continuidade das operações irregulares.

O Destino dos Valores Bloqueados e Possíveis Desbloqueios

Uma vez bloqueados, os valores existentes nas contas ficam imediatamente indisponíveis. A regra é enfática ao determinar que novas transações, que se destinem direta ou indiretamente a essas contas e que tenham relação com a atividade irregular de apostas, sejam recusadas. Na prática, a intenção é cortar o fluxo financeiro de operadores não autorizados.

No entanto, o bloqueio não é, por definição, uma medida permanente. Existem cenários em que as contas podem ser liberadas:

– Se uma decisão administrativa final reconhecer que o titular da conta não deveria ter sido afetado pela medida.
– Após a conversão dos valores em depósito judicial, conforme previsto na regulamentação, o que permite que a Justiça decida sobre o destino final do dinheiro.

Por outro lado, caso uma decisão judicial finalize o processo com a confirmação do perdimento dos recursos, as instituições financeiras e de pagamento serão obrigadas a encerrar as contas dos titulares envolvidos. Nesses casos, o dinheiro terá um destino específico: será encaminhado ao Fundo Nacional de Segurança Pública, uma entidade vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Contexto Legal e a Luta Contra o Crime Organizado

A iniciativa do CMN integra um esforço mais amplo do governo para combater operadores clandestinos de apostas no país. A medida foi concebida e prevista após importantes modificações na legislação, especialmente no contexto do combate ao crime organizado. Ela regulamenta um dispositivo que foi incluído na Lei nº 14.790/2023, conhecida como o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. Esta lei modernizou ferramentas para enfrentar atividades criminosas complexas, incluindo aquelas que se valem de plataformas digitais e financeiras para operar ilegalmente.

Além disso, a norma também complementa o Decreto nº 13.033/2026, que estabeleceu as atribuições da recém-criada Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). A SPA é o órgão responsável por regulamentar, autorizar e fiscalizar a exploração de loterias e apostas de quota fixa no Brasil. Sua criação e fortalecimento são cruciais para a organização e moralização do mercado de apostas, garantindo que apenas operadores licenciados e em conformidade com a legislação atuem no território nacional.

O Conselho Monetário Nacional (CMN), que deliberou sobre essa importante regulamentação, é o órgão máximo do sistema financeiro nacional. Ele é composto por figuras chave da economia brasileira: o ministro da Fazenda, Dario Durigan; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. A atuação conjunta desses líderes reforça a seriedade e a importância da medida para a estabilidade e a segurança do sistema financeiro.

A regulamentação das apostas de quota fixa é um tema de crescente relevância no Brasil. As apostas de quota fixa são aquelas em que o apostador sabe, no momento da aposta, qual será o valor do prêmio em caso de acerto, independentemente das mudanças nas probabilidades. Embora o mercado de apostas online tenha se popularizado, a ausência de uma regulamentação completa abria brechas para a atuação de plataformas ilegais, que não pagam impostos, não oferecem garantias aos consumidores e podem ser usadas para lavagem de dinheiro. A nova regra busca trazer mais transparência e segurança para o setor, protegendo tanto o cidadão quanto o sistema financeiro nacional de atividades ilícitas.

Perguntas Frequentes

O que muda com a nova regulamentação do CMN?

A nova regulamentação permite o bloqueio de contas e transações financeiras de operadores de apostas de quota fixa que atuem sem autorização legal no Brasil. O objetivo é dificultar a operação de sites e empresas irregulares, estabelecendo regras para bancos e instituições de pagamento.

Quais contas podem ser bloqueadas?

Podem ser bloqueadas as contas de depósito à vista, contas de poupança, contas de pagamento pré-pagas e contas de registro, desde que vinculadas a operadores de apostas ilegais identificados.

Como funciona o processo de bloqueio?

O procedimento começa com a identificação de uma operação irregular pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). A secretaria emite um auto de constatação e envia uma notificação de bloqueio às instituições financeiras, que devem bloquear as contas em até 24 horas.

O que acontece com o dinheiro retido?

Após o bloqueio, os valores nas contas ficam indisponíveis. A regra também impede novas transações relacionadas à atividade irregular. Se houver decisão judicial de perda dos valores, o dinheiro será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública.

É possível reverter o bloqueio?

Sim, o bloqueio não é necessariamente definitivo. As contas podem ser liberadas caso uma decisão administrativa final reconheça que o titular não deveria ter sido afetado pela medida, ou após a conversão dos valores em depósito judicial.

Para onde vai o dinheiro das apostas ilegais que for apreendido?

Em caso de determinação judicial de perda dos valores, o dinheiro será destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública, que é ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.


25 de junho de 2026|Fonte: Agência Brasil|Foto: Agência Brasil|Redação: Bruno Sampaio|Fonte da Informação ↗

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Editor sênior especializado em apuração ágil e produção orgânica. Respeita os princípios de E-E-A-T do Google Search e constrói conexões semânticas precisas.

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