Flipelô homenageia Myriam Fraga em 10ª edição no Pelourinho
Festa Literária Internacional do Pelourinho chega à sua décima edição com programação de 5 a 9 de agosto em Salvador.
Flipelô homenageia Myriam Fraga em 10ª edição no Pelourinho
A poeta e jornalista baiana Myriam Fraga (1937-2016) será a principal homenageada da décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que acontece de 5 a 9 de agosto no centro histórico de Salvador. O evento celebra o legado da escritora, que foi uma das idealizadoras da festa e um pilar da cultura baiana. Considerada uma das maiores vozes da literatura brasileira, Myriam Fraga terá sua obra e contribuição cultural destacadas durante os cinco dias de programação.
A Flipelô, que se tornou o maior evento literário da Bahia, chega a uma marca importante em 2024. A festa é realizada desde 2017 pela Fundação Casa de Jorge Amado, que completa 40 anos de existência. O objetivo central é preservar e valorizar a memória do escritor Jorge Amado, bem como a rica cultura e arte da Bahia. Além disso, a iniciativa busca estimular a literatura, principalmente entre os jovens.
Myriam Fraga: Idealizadora e Voz da Bahia
A escolha de Myriam Fraga para ser a figura central da décima Flipelô não é por acaso. A própria poeta foi uma das grandes entusiastas e idealizadoras da festa literária, sonhando em transformar o Pelourinho em um grande palco para as letras. Sua filha, Angela Fraga, atualmente presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, relembrou a inspiração da mãe. “Ao participar da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2006, ano em que Jorge Amado foi homenageado, ela voltou com uma ideia na cabeça: transformar o Pelourinho em palco de uma grande festa literária”, disse Angela.
A concretização do projeto, contudo, só viria anos depois da morte de Myriam Fraga. “Aos poucos essa ideia foi se concretizando e, assim, em 2017 conseguimos realizar a primeira edição da Flipelô. Infelizmente, Myriam Fraga não conseguiu ver a concretização de sua ideia. Agora, na décima edição, achamos mais do que justo homenageá-la”, completou Angela. A idealização da Flipelô por Myriam Fraga reflete seu profundo compromisso com a cultura e a literatura baiana.
Myriam Fraga teve um papel fundamental na criação e gestão da Fundação Casa de Jorge Amado. Ela ajudou a fundar a instituição e seu empenho foi tamanho que os próprios Jorge Amado e Zélia Gattai a convidaram para administrar a casa. Ela permaneceu na administração até o fim de sua vida, dedicando-se incansavelmente ao legado do escritor. A poeta chegou a expressar um breve receio inicial sobre a responsabilidade. “Confesso que nesse instante [do convite para dirigir a fundação] tive um breve momento de pânico. Trabalhara intensamente para que o projeto se tornasse realidade. Sinceramente esperava poder continuar de algum modo a trabalhar nele, mas de repente ser colocada na direção parecia-me uma tarefa para qual possivelmente não estava preparada”, afirmou.
Legado Literário e Engajamento Cultural
Além de sua atuação nos bastidores da cultura, Myriam Fraga deixou um vasto e significativo legado literário. Ela publicou 25 livros, consolidando-se como uma das mais importantes escritoras e poetas brasileiras. Sua produção poética era rica e diversa, abordando questões sociais específicas do Nordeste e oferecendo representações vívidas da Bahia. Contudo, sua obra também buscava uma construção do feminino, ressignificando figuras e temas da mitologia com uma perspectiva contemporânea e profunda.
Sua intensa colaboração em revistas e jornais marcou sua carreira como jornalista. Myriam Fraga foi responsável pela coluna “Linha D’Água”, publicada pelo jornal A Tarde entre os anos de 1984 e 2004, onde explorava temas culturais e sociais com sua escrita perspicaz. A poeta também integrou a Academia de Letras da Bahia, reconhecimento de sua importância e influência no cenário literário do estado. Sua capacidade de transitar entre a poesia, o jornalismo e a gestão cultural demonstra a amplitude de seu talento e o impacto de sua dedicação.
A Décima Edição e Outras Homenagens
A programação da décima edição da Flipelô, que ocorrerá de 5 a 9 de agosto, promete uma celebração intensa da literatura e da cultura. O evento, que anualmente atrai milhares de visitantes ao Pelourinho, centro histórico de Salvador, oferecerá palestras, mesas de debate, lançamentos de livros, oficinas e atividades para todas as idades. A inspiração na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) se mantém, mas a Flipelô consolidou sua identidade própria ao longo dos anos, com forte conexão com as raízes baianas.
Além da homenagem principal à poeta Myriam Fraga, a Flipelô também celebrará o trabalho do artista Calasans Neto. Grande amigo de Myriam Fraga, Calasans Neto é um renomado pintor, gravador, ilustrador, desenhista, entalhador e cenógrafo baiano. Sua parceria artística com a poeta foi longa e profícua, tendo ilustrado as obras de Myriam Fraga desde a publicação de seu primeiro livro, “Marinhas”, em 1964.
A profunda amizade e sintonia criativa entre Myriam Fraga e Calasans Neto foram elogiadas por ninguém menos que Jorge Amado. Em seu livro “Navegação de Cabotagem”, o imortal escritor baiano registrou: “A dupla é imbatível, Calá nasceu para ilustrar a poesia de Myriam, os poemas e as monotipias são da mesma matéria, visceral”. Essa homenagem dupla reforça a interconexão das artes e a riqueza das relações que construíram o cenário cultural da Bahia.
Perguntas Frequentes
O que é a Flipelô?
A Flipelô (Festa Literária Internacional do Pelourinho) é o maior evento literário da Bahia, realizado anualmente no centro histórico de Salvador. Seu objetivo é preservar a memória de Jorge Amado, valorizar a cultura baiana e estimular a literatura.
Quem será homenageado na 10ª edição da Flipelô?
A 10ª edição da Flipelô homenageará a poeta e jornalista baiana Myriam Fraga (1937-2016) como figura central. Além dela, o artista Calasans Neto também será celebrado.
Qual a relação de Myriam Fraga com a Fundação Casa de Jorge Amado?
Myriam Fraga foi uma das grandes entusiastas e fundadoras da Fundação Casa de Jorge Amado. Ela foi convidada por Jorge Amado e Zélia Gattai para administrar a instituição, cargo que ocupou até o fim de sua vida.



