Quatro suspeitos de envolvimento na morte de líder sem terra são presos

8

Foram presos nesta quarta-feira (11) em Iguaí, Sudoeste da Bahia, quatro suspeitos de envolvimento na morte do líder sem terra Fábio dos Santos Silva, assassinado com 15 tiros em 2 de abril de 2013 no povoado de Palmeirinha, zona rural da cidade.

As prisões do fazendeiro Délcio Nunes Santos, do comerciante Márcio Fabiano Cunha Borges e dos vaqueiros Arenaldo Novais da Silva e Neuton Muniz da Silva ocorreram em suas residências, em Iguaí, onde a polícia encontrou armas de fogo.

Também envolvidos no crime, o fazendeiro Welder Leonardo Gusmão Amaral e o vaqueiro Ricardo Neves de Oliveira não foram localizados e estão foragidos. Todos eles tiveram a prisão decretada em abril pela Justiça Criminal local.

As prisões só ocorreram agora, contudo, porque, segundo informou o juiz Reno Soares Viana, “a Secretaria de Segurança Pública informou que precisaria de tempo para organizar o cumprimento [das prisões], para evitar situações de conflito agrário”.

Titular da Vara do Júri e Execuções Penais de Vitória da Conquista, o juiz ficou responsável pelo caso por sorteio do Tribunal de Justiça da Bahia, que fez isso após vários colegas da magistratura de Iguaí e região se colocarem como suspeitos.  

Os envolvidos no crime foram denunciados à Justiça em julho de 2017 pelo Ministério Público (MP-BA). O fazendeiro Délcio Nunes Santos e o vaqueiro Ricardos Neves de Oliveira são acusados de terem recebido R$ 10 mil para executarem a vítima.

Eles foram contratados pelos vaqueiros Arenaldo Novais da Silva e Neuton Muniz da Silva. E os mandantes, segundo o MP-BA, são o fazendeiro Welder Leonardo Gusmão Amaral e o comerciante Márcio Fabiano Cunha Borges.

O MP-BA apontou como um dos motivos do homicídio a atuação de Fábio Santos nas lutas em defesa da Reforma Agrária, o que prejudicava os “interesses dos denunciados”.
As investigações foram conduzidas pelo Grupo Especial de Mediação e Acompanhamento de Conflitos Agrários e Urbanos da Polícia Civil (Gemacau), que apontou a existência de uma “associação criminosa”, composta por fazendeiros e pistoleiros que atuavam na região de Iguai, Ibicuí e Nova Canãa.

Em comunicado, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a qual Fábio Santos era ligado, avalia que “a fuga dos dois denunciados é consequência da divulgação prévia do pedido de prisão feita pelo Ministério Público do Estado da Bahia”.

“O Movimento entende que a divulgação foi inapropriada e exige que as buscas para localizar e prender os foragidos aconteçam com urgência”.

Com a mesma pressa o MST aguarda a conclusão sobre as investigações sobre o assassinato de uma das maiores lideranças do movimento na Bahia, Márcio Matos, morto aos 33 anos em 24 de janeiro de 2018 com cinco tiros disparados por dois homens.

O crime ocorreu no assentamento rural Boa Sorte, onde Matos residia, em Iramaia (Chapada Diamantina) . O delegado do caso, Fabiano do Santos Aurich, coordenador da 9ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Jequié), informou nesta quinta-feira (12) que várias pessoas já foram ouvidas e provas colhidas, porém disse que não poderia dar mais detalhes para não prejudicar as investigações.

Facebook Comentarios