Universidade de Pedra do Cavalo

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Quando o diretor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, visitou o lago de Pedra do Cavalo, a convite do WWI-Worldwatch Institute, despertou mentes científicas, empresariais e inovadoras, que alimentam fundos de investimentos de Berkeley, para o que chamou de oásis hídrico do semiárido brasileiro, pensando nas possibilidades de articulações da Região Metropolitana de Feira de Santana (RMFS), o Silicon Valley e aquela universidade pública americana.

Posicionada, isoladamente, como quinta maior economia do planeta, a Califórnia declarou-se oficialmente como Estado Verde, legalmente comprometido com a preservação e o desenvolvimento sustentável e investe pesado em inovação, ciência e tecnologia para movimentar o seu PIB de 2,5 trilhões de dólares. O Vale do Silício, berço mundial de tecnologia, que abriga cerca de 15 mil startups, empregando mais de 2 milhões de pessoas, continua a produzir e a exportar suas criações como fez com Apple, Google, Uber, Facebook, Instagram e tantas outras.

O PIB feirense de 11 bilhões de reais, se for irrigado com conhecimento e recursos californianos e de outros centros de pesquisa, pode ser impulsionado com expertises novas, estimulando a migração de colônias de startups para inovar na gestão e no desenvolvimento estratégico desse oásis hídrico que abastece cerca de 5 milhões de pessoas.

Pedra do Cavalo, que banha a RMFS e faz brilhar olhos do mundo, é formado pelo represamento do Rio Paraguaçu, maior rio baiano (600 km) e o Rio Jacuipe, e banha dez municípios, Conceição de Feira, Antônio Cardoso, Cabaceiras do Paraguaçu, Cachoeira, Feira de Santana, Governador Mangabeira, Muritiba, Santo Estevão, São Felix e São Gonçalo dos Campos; um corpo hídrico de 186 km², com uma Área de Proteção Ambiental (APA), Unidade de Conservação de uso sustentável, definida pela legislação federal e estadual. Um paraíso para os inovadores ideais de sustentabilidade californianos.

Parcerias com o Silicon Valley Organization, que reúne a nata da gente inovadora, está no radar, assim como a Associação Nacional de Águas Rurais, maior associação de usuários de água e esgoto dos EUA, com mais de 31.000 membros nos diferentes estados e oferece assistência técnica às comunidades rurais, estimulando poderosas redes de micro e pequenas empresas. Parceria local com o Sebrae pode aportar experiências novas de interesse das comunidades.

Em recente visita à Bahia, o embaixador de Israel, Yossi Shelley, também mostrou interesse em articulação do potencial da região de Pedra do Cavalo com o instituto agrícola israelense Volcani (www.agri.gov.il), um dos mais respeitados do mundo. Abrigando atualmente cerca de 3 mil startups, com apoio do governo israelense e de 300 multinacionais, desértico e árido, Israel obtém 85% de sua água através da dessalinização (em 2020 serão 95%), a um custo de US$ 0,50 por mil litros, para o abastecimento da sua população de 8.9 milhões de habitantes, seus 200 mil hectares com 14 mil fazendas irrigadas, e mais de mil complexos industriais.

Elevada a Vila de Santana dos Olhos d’Água, em 1832, passando a Cidade Comercial de Feira de Santana, em 1873, batizada por Rui Barbosa como Princesinha do Sertão, em 1919, e hoje com um
alto Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM/ONU – 0,712), Feira é a maior, mais rica cidade e capital do semiárido brasileiro – um status que não pode passar despercebido.

Tendo adotado oficialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, Feira tem novos caminhos, articulando-se com o mundo novo e usando sua força em seu favor. A utopia concreta de um centro de pesquisa da Universidade de Pedra do Cavalo gera gravidade para atrair rapidamente as ondas disruptivas da inovação que invadem os quatro cantos do mundo.

Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil

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