Ser mãe está cansada

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Ser mãe está cansada. De TPM. E, às vezes, triste por não me fazer entender. Por Joaquim achar que estou brincando quando falo sério e digo pare de morder. Pare de bater. Desça daí, etc e tal. Tudo o que ouvi sendo filha. Mas ontem, esgotadíssima, não segurei a onda no meio do caos cotidiano. E desabei. Chorei que nem criança na frente dele. Que chegou junto de mim e observou. Depois saiu com os comentários:
-Mamãe tá solanu.

-… (não conseguia dizer nada no começo, só chorar mesmo. E estávamos apenas nós dois)
-Desculpa, mamãe. Tá tudo bem. Passou. Passou.
– Tá bem, meu amor. Mamãe ficou triste, mas daqui a pouco ela fica alegre de novo. (Já fui dizendo e me condenando, então mudei o texto). Na verdade, filho, as pessoas não precisam ser sempre alegres, sabe? Elas ficam tristes, chateadas, nervosas e choram. Isso é normal.

Ele me abraçou (como se não tivesse me mordido nem me batido nem jogado um copo de água em nosso almoço e nem quebrado a xícara e nem espalhado o lixo que eu varri). E ficou assim abraçado comigo (porque ele tem apenas dois anos e não tem a ver com os meus dramas, porque eu sou mulher antes de ser mãe, porque o peso do mundo, porque a solidão, porque o amor, porque as contas, porque a negociação dos espaços, porque o tempo).

Raquim levou aquela mãozinha que eu amo tanto para o meu rosto e, meio desajeitado e cheio de preocupação, resolveu o BO daquele momento:
-Zuaquim já limpou o que mamãe solou. Viu? Viu que passou?

Então eu, falha, humana, dolorida, cansada, apaixonada por esse menino, mas querendo uma bolha de paz, triste por tantas coisas e querendo até gostar de futebol, então eu ri.

Texto originalmente publicado no Facebook

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